Por que ler mulheres?

Por que ler mulheres?

Postado em:
Blog - Leia mulheres
- 05/02/2021 18:39:55

Antes de enumerar uma série de estatísticas, proponho um exercício simples: vá até a sua estante separe os livros entre autoras mulheres e autores homens. Você vai se surpreender com a desproporção. Tirando raras exceções, a maior parte das bibliotecas concentra um número muito maior de escritores. Isso acontece na sua casa, na minha, nas livrarias, nas universidades, no Brasil e no mundo. A explicação é simples: ao longo da história, as mulheres tiveram menos oportunidades de se dedicar à literatura, foram menos publicadas, premiadas e divulgadas. O desequilíbrio não está restrito ao mercado editorial, mas é um indicador importante para refletirmos sobre as mudanças que queremos na sociedade. 

 

Não são poucos os casos de escritoras que assinaram com autoria anônima ou pseudônimos masculinos. Um dos casos mais conhecidos é de George Eliot, que na verdade era Mary Ann Evans. George Sand era Amantine Dupin, uma das mais importantes autoras francesas do século 19. As irmãs Charlotte, Emily e Anne Brontë (Emily é autora de O Morro dos Ventos Uivantes e Charlotte, de Jane Eyre), publicaram seus livros com os nomes de Currer, Ellis e Acton Bell. 

 

Os números ajudam a deixar isso ainda mais claro: em 117 edições do Prêmio Nobel de Literatura, só 16 mulheres foram vencedoras. Menos de 20% dos primeiros lugares na categoria romance do Prêmio Jabuti são de autoras mulheres. Cinco autoras ocupam cadeiras entre os 40 membros da Academia Brasileira de Letras e a primeira a chegar lá foi Rachel de Queiroz, que conquistou esse espaço 40 anos depois da criação da instituição. O Prêmio Camões, um dos mais importantes da literatura em Língua Portuguesa, premiou sete mulheres nas suas 33 edições. Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Pesquisa Contemporânea da UNB (Universidade de Brasília) revelou que 70% dos livros publicados no Brasil por grandes editoras entre 1965 e 2014 foram escritos por homens. 

 

Ler mais autoras mulheres é uma forma de enxergarmos o mundo sob outras perspectivas, de ajudar a promover a equidade, de conhecer o que pensa a metade da população mundial. Ler livros escritos por mulheres é dar espaço para uma narrativa mais diversa e inclusiva. É romper com os mecanismos de produção de uma história única, que cria estereótipos e verdades absolutas. 

 

Ler mais autoras é uma forma concreta de chamar atenção do mercado editorial, de criar uma demanda maior para que a oferta também possa crescer. É um jeito de colaborar para que mais mulheres sejam publicadas e divulgadas. Há milhares de boas histórias já criadas e outras tantas a serem escritas. Histórias para serem lidas por homens e por mulheres. Para serem lidas por quem deseja viver em um mundo onde cabem muitas histórias. 

 

Comprar livros escritos por mulheres é um jeito de promover a transformação, de ajudar a equilibrar essa balança, de reconhecer outros modos de existir no mundo. Já estamos avançando e há muitos movimentos que incentivam e promovem a literatura feita por mulheres de diferentes etnias, religiões, orientações sexuais e nacionalidades. Mulheres que vivem, sentem e pensam de forma diversa, mas têm em comum a busca pelo lugar que lhes cabe na sociedade. E na sua prateleira de livros. Venha com a gente, leia mais mulheres! 

 

Literatura feita por mulheres em números 

 
  • 16 dos 117 prêmios Nobel de Literatura foram concedidos para mulheres. 

  • 5 das 40 cadeiras da Academia Brasileira de Letras são ocupadas por mulheres. 

  • Menos de 20% dos primeiros lugares na categoria romance do Prêmio Jabuti são de autoras mulheres.

  • O Prêmio Camões premiou sete mulheres em 33 edições. 

  • 70% dos livros publicados no Brasil por grandes editoras entre 1965 e 2014 foram escritos por homens. 

 

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