A escritora portuguesa Lídia Jorge acaba de receber o Prêmio Camões, o maior reconhecimento da literatura em língua portuguesa. Com mais de quatro décadas de carreira, ela se torna a 10ª mulher a conquistar a premiação desde sua criação, em 1988, um dado que já diz muito sobre os grandes prêmios literários.
Criado por Brasil e Portugal, o Prêmio Camões reconhece autores cuja obra contribui de forma significativa para o patrimônio literário da língua portuguesa. Além do prestígio, ele amplia a circulação internacional de escritores lusófonos em um mercado editorial ainda dominado pela língua inglesa.
Em quase 40 anos, apenas dez mulheres receberam o prêmio. Entre elas estão Rachel de Queiroz, escritora brasileira e também a primeira vencedora (1993), Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Velho da Costa, Agustina Bessa-Luís, Lygia Fagundes Telles, Hélia Correia, Paulina Chiziane, Adélia Prado, Ana Paula Tavares e, agora, Lídia Jorge. Cada uma abriu caminho para que mais escritoras fossem lidas, reconhecidas e celebradas.
Poucos dias antes da premiação, Lídia Jorge participou do festival literário Babell, no Porto. Uma de suas frases que resume a sessão é: "O livro é a cama para o nosso espírito."
Entre suas obras abordadas no Babell, vale conhecer Misericórdia, romance recente que mistura memória e ficção ao narrar o último ano de vida de sua mãe num lar de idosos durante a pandemia, e O Céu Cairá Sobre Nós, que reúne 30 de suas crônicas publicadas no jornal El País e o discurso que provocou intenso debate em Portugal ao defender uma sociedade mais plural. Lídia Jorge afirmou na sessão que o repetiria de forma ainda mais explícita.
A conquista de Lídia Jorge vai muito além de um prêmio individual. Ela fortalece a literatura em língua portuguesa e amplia o espaço para que mais mulheres sejam reconhecidas por suas obras. É uma vitória que merece ser celebrada por todas nós que acreditamos nos livros como ponte para futuros desejáveis.
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Texto: Vivien Merciel Suarez, escritora, cronista, colunista e integrante do coletivo Amora Portugal.
Foto: Paula Calheiros, do Viver o Porto
