Texto de Vivien Merciel Suarez 

Nesta semana começa a FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Em sua 24ª edição, a feira conta com a curadoria da editora e crítica literária Rita Palmeira, que já mediou diversas mesas em edições anteriores e conhece a cena literária brasileira e internacional com profundidade.

 

A edição deste ano homenageia a poeta paulista Orides Fontela, vencedora dos prêmios Jabuti (1983, com Alba) e APCA (1996, por Teia). Entre suas principais contribuições estão a renovação da tradição modernista na poesia brasileira e o diálogo entre a poesia, a filosofia e o zen-budismo.

 

Para esta edição, destaca-se a presença de vozes femininas fundamentais para o pensamento contemporâneo, como a filósofa e ativista norte-americana Angela Davis, da escritora angolana vencedora do Prêmio Camões de 2025 Ana Paula Tavares, da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, da escritora catalã Eva Baltasar e da escritora inglesa Zadie Smith.

 

Pioneira ao trazer autores internacionais para o Brasil e ampliar a projeção de escritores brasileiros no cenário literário mundial, a FLIP, apesar das transformações pelas quais passou ao longo dos anos, continua sendo o mais importante evento literário da América Latina.

 

Durante esses dias, o país abriga um verdadeiro epicentro literário multicultural no Centro Histórico de Paraty e em seus arredores.

 

Ali, é possível conhecer escritores de diferentes origens, entrar em contato com as traduções de suas obras para o português (e com obras escritas em outras vertentes do mundo lusófono), além de apresentar ao mundo a pluralidade dos nossos autores e a riqueza da literatura produzida no Brasil.

 

A FLIP promove fricções entre ideias, livros e pessoas, e os ecos desses encontros reverberam por muito tempo e muito além de Paraty. É um evento que continua movendo mundos.

 

A feira também oferece a oportunidade de conhecer o pensamento dos autores para além de suas obras. Tanto a programação principal quanto as atividades das casas parceiras reúnem conversas, debates e mesas-redondas que formam uma constelação de vozes que nem sempre ocupam os mesmos espaços.

 

Um dos aspectos mais interessantes é acompanhar os pontos de convergência (e também de divergência) que surgem nas conversas entre os participantes, conforme a composição das mesas, as propostas de cada casa e os temas em discussão.

 

Algumas casas parceiras organizam suas programações a partir de recortes específicos, como o de gênero, ampliando a diversidade de perspectivas presentes na feira. É o caso da CasaDelas, da Casa Queer + Paratodes Paraty e da Casa Escreva, Garota! (e, a propósito, venha nos visitar: a Amora Livros estará por lá).

 

Quem não estiver em Paraty durante esses dias poderá acompanhar gratuitamente as mesas da programação principal pelos canais oficiais de transmissão da FLIP.

 

Outra dica, para quem estiver por lá, é acompanhar os lançamentos preparados especialmente para a feira, que contribuem para tornar o evento um dos momentos mais aguardados do calendário literário brasileiro. 

 

Se você acompanha autores específicos, vale conferir se eles estarão lançando novos títulos por lá.

 

Entre alguns dos lançamentos em destaque nesta edição estão:

 

•⁠  ⁠Amara Moira, que lança “Poemetos travessos e gozosos contos”, com sua escrita marcada pela experimentação da linguagem e pelo desejo.

•⁠  ⁠⁠Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, que chegam à FLIP com “Escreviventes”, novo livro escrito em coautoria, que reafirma a potência e a pertinência da literatura brasileira contemporânea escrita por mulheres negras.

•⁠  ⁠⁠Cláudia Lucas Chéu, escritora portuguesa, lança seus livros “Escrevo por vingança à morte” e “Uma coca-cola no inferno”, fortalecendo os diálogos entre as literaturas de língua portuguesa.

•⁠  ⁠⁠Socorro Acioli, uma das principais vozes da ficção brasileira contemporânea, lança seu novo livro de crônicas “Amar é inadiável”. 

 

A FLIP deste ano reforça a importância de mais vozes femininas nas curadorias, nas publicações e no debate público sobre escrita, sociedade e conhecimento, além de um olhar sobre a nossa literatura que cruze o Atlântico e ocupe novos espaços.