por Vivien Merciel Suarez 

 

Vivemos um momento histórico em que a esquerda e a direita do nosso país se uniram em razão de um consenso inegociável: a democracia. Outubro de 2026 foi esse mês que tirou o sono de todos, até finalmente testemunharmos fatos históricos: vimos pela primeira vez uma eleição presidencial em que a maioria dos votos do primeiro turno não se manteve no segundo turno e vimos o mesmo presidente ser democraticamente reeleito quatro vezes em sua carreira política. O que estava em jogo nestas eleições presidenciais ultrapassava o próprio Brasil e a América Latina e representava consequências geopolíticas com impactos mundiais, envolvendo as nossas terras raras e interesses imperialistas internacionais.

 

Para quem defende a cultura, a leitura e as manifestações artísticas, que costumam estar entre as primeiras das linhas de cortes orçamentais em governos de extrema direita, o resultado destas eleições representa também a possibilidade de continuar a cocriar futuros em que as políticas públicas e culturais nos levem à construção da sociedade que queremos. Junto a essas políticas vêm também incentivos que movimentam toda uma economia criativa, geram empregos, fortalecem comunidades e reduzem a precarização de profissionais que trabalham dentro desta cadeia, afinal, reconhecimento e investimento trazem dignidade.

 

As indústrias criativas são um campo profissional a ser levado a sério, e reduzi-las a mero entretenimento é dispensar a sua potência formativa e o seu papel no exercício de diplomacia cultural, do poder suave (soft power) e de soberania nacional. A história da humanidade já testemunhou diversos bibliocídios e, ainda assim, seguimos com essa tecnologia analógica até os dias de hoje, com a certeza de que a cultura é um direito que a democracia protege e que nada acabará com os livros.

 

A imagem desse post, a obra Domine seu idioma, de Marilá Dardot. 

Foto: Eduardo Macarios