Em Triste Tigre, Neige Sinno cruza autobiografia e ensaio para enfrentar a experiência do abuso sexual causado pelo padrasto na infância e adolescência. A narrativa se constrói de forma fragmentada, recusando a linearidade e o tom confessional tradicional, e avança por meio de memórias, questionamentos e referências a outros textos e autores. Ao escrever, Sinno não busca apenas contar o que aconteceu, mas investigar como a violência se inscreve no corpo, na linguagem e no silêncio, e como a sociedade cria mecanismos que permitem sua repetição. A obra não é apenas um relato de violência, mas um livro sobre os limites da palavra, sobre o pensamento como forma de resistência e sobre a escrita como gesto ético diante do horror.
Neige Sinno nasceu na França, em 1977, e é escritora e professora de literatura e escrita criativa. Vive no México e vem construindo uma obra que transita entre a ficção e o ensaio. Antes de Triste Tigre, publicou outras obras, mas foi com essa obra que alcançou amplo reconhecimento crítico e público, recebendo prêmios de grande prestígio, como o Prix Femina e o Prix Goncourt des Lycéens, em 2023, além do Prêmio Literário do jornal Le Monde e do prêmio Strega Europeo, em 2024. O livro foi publicado no Brasil pela editora Amarcord e traduzido por Mariana Delfini.
